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terça-feira, 22 de setembro de 2015

Visita Apostólica do Papa Francisco a Cuba, algumas considerações


  O Santo Padre, o Papa Francisco, faz nestes dias uma intensa viagem a dois pólos no mundo: de um lado a comunista Cuba e de outro a superpotência capitalista, os Estados Unidos da América. A escolha não foi por acaso. Francisco está mediando há tempos uma reaproximação entre os países que tem suas relações estremecidas há anos. Se Francisco conseguir que Raúl Castro e Barack Obama se olhem e iniciem um diálogo, isso é maravilhoso, entretanto o mais complicado e difícil será fazer os dois países chegarem a consensos quanto à economia e sistema social. Os Estados Unidos são cobrados diante de seus embargos econômicos à ilha de Raúl e quanto aos supostos crimes contra a humanidade da prisão de Guantánamo. Já Raúl é posto na parede para acabar com um regime que também supostamente retira a liberdade de seus cidadãos e que cala, a poder de força, qualquer voz dissonante de seu governo.

  A missão do Papa não é exaltar ninguém nem “bater” em ninguém, mas anunciar o Cristo que veio aos pobres e que os libertou de qualquer opressão. Ao anunciar o Evangelho, o Papa encontrará duras realidades a serem iluminadas pela Palavra de Deus. Questões como liberdade, emigração, economia de comunhão, prática da religião, políticas familiares deverão ser tratadas. Bem sabemos que a diplomacia vaticana saberá dar o tom aos discursos, ainda que saibamos que o Papa Francisco possa a qualquer momento “abandonar o protocolo”. Mas o próprio Papa sabe que o momento é delicado e qualquer gesto seu que acolha um país e rejeite outro, traria sérias consequências ao diálogo instaurado. Não foi à toa que em sua conta no twitter de 18 de Setembro, um dia antes do início da viagem, Francisco tenha pedido a oração especial dos fiéis: “Convido-vos a rezar, juntamente comigo, pela minha viagem a Cuba e aos Estados Unidos. Preciso das vossas orações”.

  Ao chegar a Cuba, num pequeno discurso de agradecimento às boas vindas, o Papa Francisco falou da importância de estar continuando um caminho de diálogo e de diplomacia que o Vaticano iniciou com Cuba há 80 anos. Depois falou da importância da devoção a Maria, a Virgem da Caridade do Cobre. O único momento em que houve uma palavra mais forte sobre a abertura do país ao mundo se deu ao citar São João Paulo II, quando da visita à ilha: “Cuba, com todas as suas magníficas possibilidades, se abra ao mundo e o mundo se abra a Cuba” (Discurso na cerimônia de acolhimento, 21/1/1998, 5). No domingo, numa grande Missa Campal, disse o Papa: “O convite ao serviço apresenta uma peculiaridade a que devemos estar atentos. Servir significa, em grande parte, cuidar da fragilidade. Servir significa cuidar dos frágeis das nossas famílias, da nossa sociedade, do nosso povo. São os rostos sofredores, indefesos e angustiados que Jesus nos propõe olhar e convida concretamente a amar. Amor que se concretiza em ações e decisões. Amor que se manifesta nas diferentes tarefas que somos chamados, como cidadãos, a realizar. São pessoas de carne e osso, com a sua vida, a sua história e especialmente com a sua fragilidade, aquelas que Jesus nos convida a defender, assistir, servir. Porque ser cristão comporta servir a dignidade dos irmãos, lutar pela dignidade dos irmãos e viver para a dignificação dos irmãos. Por isso, à vista concreta dos mais frágeis, o cristão é sempre convidado a pôr de lado as suas exigências, expectativas, desejos de onipotência”.

  Ontem, penúltimo dia da viagem de Sua Santidade, o Papa deu não apenas ao povo cubano, mas a todos nós uma pérola ao meditar o chamado do Apóstolo Mateus: “O seu amor precede-nos, o seu olhar antecipa-se à nossa necessidade. Jesus sabe ver para além das aparências, para além do pecado, para além do fracasso ou da nossa indignidade. Sabe ver para além da categoria social a que possamos pertencer. Ele vê para além de tudo isso. Ele vê a dignidade de filho que todos temos, talvez manchada pelo pecado, mas sempre presente no fundo da nossa alma. É a nossa dignidade de filhos. Veio precisamente à procura de todos aqueles que se sentem indignos de Deus, indignos dos outros. Deixemo-nos olhar por Jesus, deixemos que o seu olhar percorra as nossas veredas, deixemos que o seu olhar nos devolva a alegria, a esperança, o gozo da vida”.

  O Papa evitou fazer declarações políticas ostensivas, que os dissidentes esperavam que ele fizesse e usou mais suas homilias para enviar mensagens ligadas à espiritualidade e sobre a necessidade de mudanças no país comunista, de partido único. Francisco lembrou aos cubanos que pensem com maior abertura e sejam tolerantes às ideias de outras pessoas. A abordagem mais suave, um contraste com a adotada por seus dois antecessores imediatos quando visitaram Cuba, parece impulsionada por um desejo de incentivar calmamente os cubanos em um momento delicado após a retomada das relações diplomáticas com os Estados Unidos. "Ele falou com clareza, discrição e moderação", disse o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, aos jornalistas.


  Hoje Francisco se despede de Cuba e continua sua viagem apostólica indo para os Estados Unidos. Grandes eventos também lá acontecerão como a canonização do Frei Junípero Serra, a visita ao Congresso dos Estados Unidos e às Nações Unidas e, sobretudo, seu encontro com as famílias no Encontro Mundial das Famílias, na Filadélfia. Rezemos pelo Papa e por estes grandes compromissos, para que seja a voz de Cristo a falar a todos os ambientes e a iluminar as várias partes do mundo.

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