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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Como viver a quaresma hoje?


  Durante este tempo especial de purificação, a Igreja propõe-nos uma série de meios concretos que nos ajudam a viver a dinâmica quaresmal: a oração, o jejum e a esmola, também chamada de “caridade”. São três instrumentos para nos fazer “voltar a Deus” e ao próximo; três caminhos com um único objetivo: tornar-nos cristãos de novo, a nós que caímos ou envelhecemos no pecado. Este projeto quaresmal, entretanto, não deve ser enjaulado no tempo da quaresma, mas posto em ação em todos os dias do ano. A Igreja no-lo apresenta neste tempo favorável, apenas para nos lembrar do compromisso de que, como cristãos, estamos obrigados.

  Falemos da oração. Ela é o lugar privilegiado onde Deus se epifaniza; a oração é condição indispensável para o encontro com Deus. Por ela nós vemos a Deus e Deus nos vê. É no diálogo íntimo com o Senhor que o cristão deixa a graça divina penetrar no seu coração e, como a Virgem Maria, se abre à ação do Espírito com uma resposta livre e generosa (cf. Lc 1,38). Na Quaresma, devemos meditar a Palavra de Deus com mais profundidade e é conveniente levar à oração temas relacionados com a Paixão de Cristo e os próprios relatos evangélicos; também é altamente recomendável a devoção da Via Sacra. Se pudermos (e quase sempre podemos), façamos o esforço de frequentar mais vezes os Sacramentos, especialmente o da Confissão. Não nos esqueçamos de que a Igreja também nos pede neste tempo litúrgico que rezemos mais pela conversão de todas as almas (principalmente daqueles que nos são mais próximos).

  O jejum e as demais mortificações que podemos fazer nas circunstâncias ordinárias da nossa vida também constituem um meio concreto de viver o espírito de Quaresma. Não devemos procurar fazer grandes penitências. O que, sim, podemos fazer é oferecer a Deus os incidentes cotidianos que nos incomodam, aceitando com alegria os contratempos que podem apresentar-se: o trânsito lento, as escadas que parecem intermináveis, a chuva inoportuna. Além disso, podemos renunciar às nossas pequenas comodidades – uma sobremesa de que gostamos mais, um assento melhor na condução, um programa de televisão – por amor de Deus. Vale lembrar que a Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira da Paixão são dias em que a Igreja pede que todos os fiéis jejuem e abstenham-se de carne.

  Por fim, dentre as práticas quaresmais que a Igreja nos propõe, o exercício da caridade ocupa um lugar especial. É o que nos recorda São Leão Magno: “Estes dias da Quaresma convidam-nos de maneira premente ao exercício da caridade; se queremos chegar à Páscoa santificados no nosso ser, devemos pôr um interesse especialíssimo em adquirir esta virtude, que contém em si todas as outras e cobre uma multidão de pecados”. A caridade deve ser vivida de maneira especial com aqueles que temos mais perto de nós, no ambiente concreto em que nos movemos. Trata-se de sorrir àqueles com quem não nos damos muito bem (talvez por nossa culpa), de aumentar o espírito de serviço, de convidar um amigo a fazer uma visita a uma família pobre, etc. Principalmente, pode ser uma oportunidade para aproximarmos de Deus os nossos familiares e amigos: esse é o maior bem que lhes podemos fazer.


  Também devemos ter em conta que a Quaresma é um tempo propício para lutarmos contra os nossos defeitos mais arraigados. Podemos aproveitar esta época litúrgica para crescer em conhecimento próprio, fazendo um exame mais aprofundado da nossa vida para descobrir o que nos aproxima ou afasta de Deus. Depois, marcaremos metas palpáveis de melhora e nos esforçaremos por atingi-las. Se alguma vez falharmos, recorreremos com humildade e contrição ao sacramento da Penitência e recomeçaremos com alegria. Se fizermos a nossa parte, que é lutar sempre confiantes na ajuda de Deus, Ele não deixará de nos conceder as graças necessárias para uma verdadeira conversão.



Fonte: Texto de ACI Digital com trechos adaptados por BarretePreto

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