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quinta-feira, 20 de março de 2014

A falácia da Teologia da Libertação


  Do ponto de vista acadêmico, a Teologia da Libertação desapareceu. Basta observarmos que não se publicam mais livros sobre essa ideologia revolucionária. Explicou-o com propriedade dom Odilo Scherer, em entrevista concedida a um jornal de São Paulo: “Foi um momento da história da teologia. Ela perdeu suas motivações próprias, por causa da ideologia marxista de fundo – materialismo ateu, luta de classes, uso da violência para conquistar objetivos – que não casa com a teologia cristã”.

  Na prática, contudo, a famigerada Teologia da Libertação ainda está presente, se bem que moribunda, quer no âmbito universitário, em certas faculdades de teologia, quer em muitas pregações populistas. Precisamos esperar ainda um pouco de tempo, para que o efeito nefasto dessa pseudoteologia se esvaia por completo.

  Um dos maiores corifeus da Teologia da Libertação no Brasil, anos atrás, numa mea culpa surpreendente, afirmou que a mencionada ideologia cometeu o erro gravíssimo de pôr o pobre no lugar de Jesus. Eu diria que esse é mesmo o equívoco precípuo, ou seja, a falácia da Teologia da Libertação, que, paulatinamente, fez esboroar todo seu discurso demagógico.

  A Congregação para a Doutrina da Fé, que emitiu dois pareceres energicamente  contrários à Teologia da Libertação, sempre frisou o fato de que os católicos dispõem da denominada Doutrina Social da Igreja, consistente num acervo riquíssimo de ensinamentos e princípios, com fulcro na palavra de Jesus, aptos a iluminar os cristãos na sua evangélica opção preferencial pelos pobres, não exclusiva nem excludente.

  Outro dia, dando uma olhada num famoso livro oriundo da Teologia da Libertação, o qual discorre acerca do dogma, percebi claramente a parcialidade do texto, bem como a unilateralidade das ideias desenvolvidas, porquanto, por exemplo, insiste-se em que o purgatório é uma criação dos medievais, baseado exclusivamente na sagrada tradição, quando, na verdade, a santa Igreja sempre apontou claramente a base bíblica do purgatório. Outro assunto que chamou minha atenção na referida obra é que praticamente se postula pelo cancelamento dos dogmas católicos e pela assunção de uma dogmática ancorada apenas na bíblia (“religião do livro”), como se, exemplificando, os dogmas da imaculada conceição e da assunção de nossa Senhora não gozassem de nenhum respaldo nas escrituras sagradas. Cheguei à seguinte conclusão: um irmão separado (evangélico) decerto iria simpatizar bastante com aquele escrito...

  Estejamos atentos dia e noite, malgrado contemplemos os estertores da Teologia da Libertação. Não nos deslembremos da portentosa lição do papa emérito, então cardeal Ratzinger: “Essa teologia [a Teologia da Libertação] não pretende constituir um novo tratado teológico ao lado dos outros já existentes (...). Ela se concede antes como uma nova hermenêutica da fé cristã, isto é, como uma nova forma de compreensão e de realização do cristianismo em sua totalidade. Por isso mesmo, muda todas as formas da vida eclesial: a constituição eclesiástica, a liturgia, a catequese, as opções morais.” (“A fé em crise”, páginas 135 e 136).

Edson Sampel

Teólogo e Doutor em Direito Canônico e Membro da União dos Juristas Católicos de São Paulo (Ujucasp) e da Academia Marial de Aparecida (AMA).


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